-Mamãe, a senhora é louca?
-Não, meu filho... por quê?
-Eu queria que a senhora fosse louca.
-Não fale besteira filho!
-A professora disse que os loucos são felizes...
-Como ela pode saber?
-Ela estudou. Ela disse que eles dão vida às suas vontades e, por isso, não fazem nada do que não querem.
-Mas nós também não fazemos coisas que não queremos.
-Eu sei que a gente faz, mamãe. Eu vi a senhora com o papai e eu ouvi a senhora ao telefone.
-Ah, aquilo não foi...
-Os loucos conversam apenas com outros loucos, mamãe, porque as pessoas normais não gostam de pessoas excêntricas, foi o que a professora disse.
-Pode ser filho, mas isso significa que eles são solitários.
-Não, mamãe, pelo contrário, isso significa que eles devem ter assuntos maravilhosos. Como eles expressam tudo o que pensam, devem se aprofundar em assuntos muito interessantes.
-Como quais assuntos, filho?
-A existência microscópica de bactérias da tristeza e da alegria. A senhora já reparou que coça quando a gente tem um desses sentimentos ao extremo?
-A professora disse isso, filho?
-Não mamãe... Mamãe?
-O quê, filho?
-Acho que eu sou louco...
Nenhum comentário:
Postar um comentário