quinta-feira, 22 de julho de 2010

Loucura

-Mamãe, a senhora é louca?

-Não, meu filho... por quê?

-Eu queria que a senhora fosse louca.

-Não fale besteira filho!

-A professora disse que os loucos são felizes...

-Como ela pode saber?

-Ela estudou. Ela disse que eles dão vida às suas vontades e, por isso, não fazem nada do que não querem.

-Mas nós também não fazemos coisas que não queremos.

-Eu sei que a gente faz, mamãe. Eu vi a senhora com o papai e eu ouvi a senhora ao telefone.

-Ah, aquilo não foi...

-Os loucos conversam apenas com outros loucos, mamãe, porque as pessoas normais não gostam de pessoas excêntricas, foi o que a professora disse.

-Pode ser filho, mas isso significa que eles são solitários.

-Não, mamãe, pelo contrário, isso significa que eles devem ter assuntos maravilhosos. Como eles expressam tudo o que pensam, devem se aprofundar em assuntos muito interessantes.

-Como quais assuntos, filho?

-A existência microscópica de bactérias da tristeza e da alegria. A senhora já reparou que coça quando a gente tem um desses sentimentos ao extremo?

-A professora disse isso, filho?

-Não mamãe... Mamãe?

-O quê, filho?

-Acho que eu sou louco...

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Victório Sarkis

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